A MULHER NA TEOLOGIA
- INSTITUTO IBADEM

- há 3 dias
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Deus, em Sua infinita sabedoria, criou a humanidade, homem e mulher, como portadores da Sua imagem e semelhança, a imago Dei. A teologia, que nada mais é do que o esforço amoroso de conhecer a Deus, surge da iniciativa do próprio Criador em se revelar a nós. Como disse Karl Barth, o conhecimento de Deus floresce onde Ele se dá a conhecer, especialmente através de Sua Palavra. E essa capacidade de ouvir, entender e responder à voz divina foi concedida graciosamente tanto ao homem quanto à mulher.
Quando olhamos para o Jardim do Éden, não vemos o homem e a mulher como figuras passivas diante da revelação que recebem, mas como participantes ativos do diálogo com o Criador. Portanto, juntamente com o homem, a mulher possui capacidades ontológicas (em seu ser) e epistemológicas (em seu entendimento) para articular a fé, como parte de sua formação plena como ser humano.
Infelizmente ao longo da história, estruturas humanas tentaram silenciar a participação ativa da mulher, limitando seu acesso ao preparo formal e aos idiomas originais da Bíblia, ferramentas essenciais para a exegese bíblica, no processo de conhecer a Deus. Por vezes, interpretações isoladas de textos paulinos (como de 1 Tm 2.12, sobre o “silêncio de mulheres”), foram usadas colaborando com o triste fato histórico da exclusão da mulher na teologia, ignorando que o próprio apóstolo Paulo celebrou o ministério de tantas cooperadoras que profetizavam e lideravam na Igreja Primitiva. (1 Co 11, Rm 16).
Apesar de algumas barreiras levantadas, a história registra sobre diversas mulheres que receberam as revelações de Deus e, portanto, fizeram teologia sólida ao responder a voz de Deus. O Espírito Santo, que sopra onde quer, nunca se deixou prender por barreiras humanas. A história das Escrituras é rica em mulheres que "fizeram teologia" na prática.
No Antigo Testamento encontramos várias mulheres nesta condição, e podemos mencionar algumas, tais como:
1. Zípora, a teóloga do rito: em Êxodo 4.24-26, vemos que essa mulher enfrentou o juízo divino, agindo com conhecimento acerca da aliança. Ela circuncidou seu filho, compreendendo a Lei que o próprio Moisés havia negligenciado. Pelo conhecimento de Deus, mesmo que em certa medida, ela salvou da morte o libertador de Israel, pois identificou o que Deus exigia.
2. Hulda, a voz teológica em tempos difíceis: Em 2 Reis 22, o Livro da Lei foi reencontrado. Vemos que o rei Josias não buscou alguns profetas (Jeremias, Sofonias), homens de Deus, que estavam atuantes na época, mas enviou servos a profetiza Hulda que, por sua vez, organizou uma profunda exegese da situação e autenticou o Texto Sagrado direcionando à reforma espiritual da nação inteira; a teologia produzida por ela foi o alicerce para o avivamento de Judá.
No Novo testamento temos o relato de várias mulheres que não se importaram com muitas das barreiras existentes, até porque a promessa era que o Espírito Santo derrubaria muitos muros que faziam separação. Deus já havia soprado que derramaria do Seu Espírito sobre toda a carne, que filhos e filhas profetizariam, que velhos sonhariam, e jovens teriam visões; até sobre os servos e sobre as servas derramaria do Seu Espírito. Diante de tal revelação, como poderia ser o fato de ter o Espírito Santo e não poder conhecer a Deus? Como poderia a mulher não fazer teologia? A Sagrada Escritura nos afirma, “assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.11); Diante disto temos:
1. Febe, a transmissora da doutrina: Febe foi diaconisa na igreja em Cencreia. Ela foi a portadora que levou a carta de Paulo aos Romanos, o Texto “mais teológico” e denso do novo testamento. Os responsáveis por levar as cartas também eram responsáveis por lê-las e explicar seu teor. Desta forma, Febe foi uma expositora da Teologia da Justificação.
2. Priscila, a mestre de teologia: Ao lado do seu marido Áquila, Priscila demonstra que o ensino teológico no início da igreja era uma atividade compartilhada. Ao encontrar com Apolo (pregador eloquente), Priscila (citada frequentemente antes do marido no grego original, o que indica sua proeminência no ensino) o instruiu corretamente sobre Deus.

Há muitas outras mulheres que corresponderam à voz de Deus e puderam produzir teologia sólida, registrada tanto no Antigo como no Novo testamento. Se nas Escrituras as encontramos, na história da igreja presente no Brasil também as encontraremos, tais como Frida Vingren, uma das mentes mais brilhantes e atuantes no início das Assembleias de Deus. Frida, mesmo diante de forte oposição promovida pelo machismo estrutural da época, se destacou não como a “esposa do missionário”, mas como um instrumento de Deus para compor e traduzir hinos, produzir diversos textos para estudos bíblicos. Foi uma das principais figuras a estruturar a hinologia e a liturgia pentecostal, pois com as suas canções (compostas e traduzidas), fortaleceu a verdade bíblica pentecostal. Ela defendia o batismo no Espírito Santo, como capacitação divina tanto para homens como para mulheres exercerem o ministério.
Desde o conhecimento da Aliança de Zípora, passando pela exegese bíblica de Hulda, pelo serviço expositor de Febe e pelo ensino doutrinário de Priscila, chegamos a mulheres como Frida Vingren. Todas provaram que a teologia não é um campo de domínio masculino, mas um território humano (de homens e mulheres), onde Deus levanta pessoas para conduzirem a prática do diálogo com o Eterno. Assim, na teologia, Deus faz uso também de vozes femininas para salvar vidas, corrigir caminhos e edificar Sua igreja. Que você, mulher, continue respondendo com ousadia ao chamado do Mestre.
Para te ajudar nessa missão preparamos um presente especial para você aqui.
A todas as teólogas do IBADEM,
Feliz dia da mulher!!!

Profª Letícia Gabrielli
Bacharela em Teologia e pós-graduanda em Teologia Pentecostal pela Faculdade Cristã de Curitiba. Escritora e professora de cursos teológicos e missiológicos desde 2013.




Quanta sensibilidade e verdade em mostrar o papel da mulher na Bíblia, além daqueles comuns- e tantas vezes intencionalmente mais enfáticos- que geralmente são falados. Podemos enxergar essas mulheres e ver o Espírito capacitando em nossos dias para viver o mesmo. Parabéns à autora e parabéns ao instituto Ibadem pela preciosidade de artigo no dia alusivo às mulheres. Deus abençoe! 🙌❤️