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Assembleia de Deus no Brasil: mais que uma denominação, um dos frutos do avivamento do século XX


Neste ano de 2026, a Assembleia de Deus no Brasil comemora 115 anos de existência.Mais do que uma “denominação”, a Assembleia de Deus no Brasil é parte do que Deus realizou no início do século XX no mundo: o movimento pentecostal clássico.

Compreende-se a inauguração da Igreja no dia de Pentecostes, registrado em Atos 2. Nesta magnífica história, que nada mais é do que os atos do próprio Deus no cumprimento de alcançar todos os povos, deparamo-nos com servos fiéis de Jesus que, no poder do Espírito Santo, foram testemunhas de Cristo.

Na história da Igreja, vemos os acertos e erros cometidos por homens e mulheres no que podemos chamar de "avanços e declínios". Em todos esses momentos, o Senhor nunca deixou de cumprir os Seus propósitos. Em tempos de afastamento por parte da Igreja, Deus interveio por meio de Seus despertamentos, que são os movimentos e avivamentos.

Nos séculos XVIII e XIX, o cenário da Igreja na Europa e nos EUA refletia um contexto de formalismo e frieza espiritual. A reação não poderia ser outra senão o surgimento de movimentos que buscassem uma “fé viva”. Com raízes no Pietismo (nos séculos XVII e XVIII), surgiu o Movimento de Santidade (Holiness), que despertou na mentalidade da Igreja o desejo por uma “segunda bênção”, a qual seria uma obra especial do Espírito Santo.

As raízes da Assembleia de Deus surgiram a partir de uma compreensão mais profunda do Espírito Santo entre o final do século XIX e o início do século XX. Despertados pelo estudo do livro de Atos dos Apóstolos, alunos da Escola Bíblica Bethel, em Topeka, no estado do Kansas (EUA), chegaram à conclusão de que o Batismo no Espírito Santo teria um sinal inicial: o falar em línguas. Posteriormente, esse entendimento impulsionaria a obra missionária e a compreensão da atualidade dos dons de forma ainda mais abrangente. Esse movimento culminou, entre os anos de 1906 e 1909 nos EUA, no conhecido “Avivamento da Rua Azusa”. Importante ressaltar que, paralelamente a esse período, também na Europa ocorria um forte despertamento espiritual, como o que se espalhou pela Suécia, na região da Escandinávia.

Após essa explosão do Avivamento da Rua Azusa, surgiram várias conferências que seguiram as mesmas compreensões e práticas ali vividas. Em uma dessas conferências, na cidade de Chicago (EUA), dois jovens suecos se encontraram: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Eles não sabiam, mas ali iniciavam a colheita daquele grandioso avivamento que o mundo estava testemunhando.

Começando por um dom espiritual, a profecia, foi-lhes revelada a vinda para o Brasil, precisamente para o estado do Pará. Eles não foram enviados para fundar uma denominação, mas vieram trazer esse despertamento e uma compreensão renovada das Sagradas Escrituras, que Deus estava manifestando ao mundo de forma mais plena.

Em 1910, aqueles dois jovens chegaram ao solo brasileiro. Diante de barreiras naturais na jornada cristã, o poder do Espírito que os trouxe também os conduziu, assim como vinha fazendo no resto do mundo, a inevitavelmente implantar uma igreja. Não a estabeleceram como filial das outras igrejas que surgiam nos EUA a partir do movimento pentecostal; contudo, por provável influência, o nome inicial foi “Missão da Fé Apostólica”, o mesmo nome do ministério liderado pelo pastor William Seymour na Rua Azusa.

Os jovens missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren traçaram um caminho independente: eles não foram enviados por uma junta missionária tradicional americana, mas contaram com o apoio financeiro da Suécia. Esse vínculo escandinavo foi estreitado com a Igreja Filadélfia de Estocolmo, liderada pelo pastor Lewi Pethrus, que assumiu o sustento da missão. Logo em seguida, a igreja sueca enviou reforços essenciais para o solo brasileiro. Dentre esses reforços, destaca-se a chegada, em 1917, da missionária e enfermeira sueca Frida Maria Strandberg (posteriormente Frida Vingren). Além de casar-se com Gunnar, Frida tornou-se uma das líderes mais atuantes da igreja, pregando, escrevendo para os jornais oficiais, compondo e traduzindo diversos hinos da Harpa Cristã.

As primeiras reuniões aconteceram na rua Siqueira Mendes (em Belém do Pará), na casa da irmã Celina de Albuquerque. Essa irmã, que já servia a Jesus, enfrentava uma enfermidade incurável nos lábios. Como parte dos frutos do avivamento correspondia também a milagres, ela foi curada. Posteriormente, Celina tornou-se a primeira pessoa batizada no Espírito Santo após a proclamação daquela mensagem em solo brasileiro, em junho de 1911. Os sinais e maravilhas começaram de forma intensa e, tal como nos tempos bíblicos, as adversidades também surgiram.

O nome “Assembleia de Deus” foi adotado oficialmente, e em primeiro lugar, nos EUA, em 1914, durante uma conferência em Hot Springs, motivada pela rápida expansão do movimento pentecostal. O objetivo inicial não era fundar uma denominação, mas promover a comunhão e padronizar as doutrinas pentecostais.

Apesar de não ter ligação jurídica direta com a organização americana, esse mesmo nome passou a ser adotado pelas igrejas pentecostais em diferentes lugares do mundo: em 1916 na Guatemala, em 1917 no México e, oficialmente, em 11 de janeiro de 1918 no Brasil (embora já fosse utilizado informalmente em solo brasileiro antes dessa data).

A Assembleia de Deus no Brasil cresceu levando o evangelho pleno: Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e em breve voltará. Assim como em vários outros lugares do mundo, essa mensagem pentecostal avançou e igualmente gerou frutos no Reino de Deus.

Esta denominação vem cumprindo o seu papel, da mesma forma que a Igreja global de Jesus tem buscado ser fiel.

O nosso desejo e clamor é que sigamos avivados no poder do Espírito Santo, que todas as barreiras contemporâneas sejam derrubadas e que o evangelho de Jesus chegue aos confins da terra. E que aqueles que já o conhecem possam experimentar reavivamentos que tragam vigor para prosseguir aguardando o retorno de Jesus.

São 115 anos de frutos, e que estes sigam para a glória de Deus. Como disse o salmista:“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Salmo 115.1).

 

FONTES CONSULTADAS

ALVES, Eduardo Leandro. Raízes teológicas no início do pentecostalismo no Brasil. Apostila de Pós-Graduação. Faculdade Cristã de Curitiba (FCC), [s.d.].

ARAÚJO, Isael de. Frida Vingren: Uma biografia da mulher de Deus, esposa de Gunnar Vingren, pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

BAPTISTA, Douglas Roberto de Almeida. História das Assembleias de Deus: O grande movimento pentecostal do Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.



Profª Letícia Gabrielli
Profª Letícia Gabrielli

Bacharela em Teologia e pós graduanda em Teologia Pentecostal pela Faculdade Cristã de Curitiba. Escritora e professora de cursos teológicos e missiológicos desde 2013.


 
 
 

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